domingo, 19 de agosto de 2012

O DILEMA DOS PAIS DIANTE DO SONO DO FILHO



Próxima aos dois anos e meio, minha filha costumava visitar a cama dos pais durante a noite. Em uma dessas típicas conversas diurnas sobre o assunto, ela questionou: “Mas, eu não quero dormir sozinha”. Expliquei que ela dormia junto com a sua irmã mais nova, no mesmo quarto.
“Não, mamãe, ela tem o berço dela. Eu não quero dormir sozinha!”, ela exclamou.
 “Bom, quando você crescer, vai ter um namorado, vai se casar e dormir com ele”, eu disse.
“E isso vai demorar muito?” Ela perguntou.


Minha filha de 4anos é uma destas crianças que, junto conosco, desenvolveu rituais muito criativos para dormir. Tão criativos, que transformaram o ato de dormir em uma complicada tarefa de horas; e, claro, nossas vidas em um inferno.
Como “santo de casa não faz milagre”, fui atrás dos inúmeros textos e materiais sobre como lidar com o adormecer do filho. E logo um dilema se impôs: se, por um lado, a escola cognitivista fornece uma série de receitas de como adaptar o filho a um comportamento esperado (tipo “nana nenê”); por outro lado, meus colegas psicanalistas costumam dizer que “por trás de todo distúrbio de sono há um grande problema escondido no armário”.
Diga-se que os esquemas comportamentais, às vezes, podem ser muito úteis, principalmente nas situações em que é necessário ensinar uma criança a dormir e tirar a chupeta.
Pois é certo que o sono da criança, assim como o dos adultos, varia do estado mais profundo para momentos em que fica mais desperta. Nesta situação, a criança checa se os rituais ou objetos necessários para seu adormecer estão presentes. Caso não estejam, chora, chama etc. Então, precisamos ensiná-la a prescindir dos “rituais amalucados”, com os quais está acostumada a ter presentes para conciliar o sono, para se conformar apenas com um travesseiro, bichinho ou simplesmente sua cama.
Bom, e aí? O que fazer? Se tento acabar com as pequenas “manias”, estou “abafando” um problema; se as mantenho, enlouqueço!
A solução encontrada foi, sem dúvida, uma medida pedagógica, com prêmios, conquistas marcadas em calendários e pequenas metas a serem atingidas. Em um mês, ela conseguiu estabelecer seu adormecer, e creio que ela nos é muito grata por isso. Digo também que é extremamente útil, nessas situações, os pais se questionarem o porquê da criação de todos esses rituais, ou mesmo conferirem se há um problema, um “probleminha”, ou ainda, um monstrão guardado no armário.

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Mira